Fake news: os detalhes da maior crise da história do Facebook

Fake news: os detalhes da maior crise da história do Facebook

Desde 2016, a empresa enfrenta problemas com sites de mídia, grupos radicais e o sensacionalismo incentivado por ela pró

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Desde 2016, a empresa enfrenta problemas com sites de mídia, grupos radicais e o sensacionalismo incentivado por ela própria

O Facebook enfrenta seu maior momento de crise. Ainda que tenha alcançado a marca de 2 bilhões de usuários ativos e divulgue lucros recordes, desde 2016 a empresa e seu chefe Mark Zuckerberg tentam resolver seus maiores problemas: notícias falsas, manipulação de informação, agressividade e até críticas de ex-executivos sobre a forma como a rede social é feita para viciar seus usuários.

Todo esse período complicado foi descrito em uma longa matéria da Wired, focada em desvendar como o Facebook até agora conseguiu se manter de pé, mesmo sob constantes ataques.

Interferência humana

Tudo começa em fevereiro 2016, quando um memorando interno da empresa sobre o sistema de Trending Topics vazou. Ficou claro como o a seção não era inteiramente apoiado por algoritmos e sim por intervenção humana de uma equipe terceirizada de jornalistas. Na época, o país já dava sinais que mergulharia em um profundo racha político envolvendo as eleição presidenciais, que logo depois colocaram de um lado Donald Trump e Hillary Clinton.

A imprensa e uma série de setores conservadores do país questionaram possíveis inclinações democratas dos executivos da plataforma, acusando-os de manipulação.

A empresa, por outro lado, parecia incapaz de frear seu crescimento. Dois meses depois atingiria seu primeiro bilhão de usuários ativos, 100 milhões deles no Brasil. Mas muitos passaram a refutar a forma como a plataforma era construída e se de fato ela era isenta, como anunciava ao mundo.

O crescimento acelerado era um triunfo diante da estratégia da empresa de perceber rapidamente quem eram seus adversários e quais deles poderiam ser comprados. Quando as imagens se tornaram o item mais importante das redes sociais, Mark comprou o Instagram. O mesmo com o WhatsApp, quando as mensagens atingiram seu ápice.

Adversários sofreram de forma parecida. Em 2013, todos louvavam o Twitter por sua capacidade de transmitir notícias de forma rápida e a rede de microblogs passou a ser apontada como um risco pelo Facebook.

Nos dois anos seguintes, o Facebook passou a privilegiar o conteúdo de empresas de notícias, de forma que enviou mais tráfego para sites de mídia que o Google e o Twitter.

Mais recentemente, a Snap Inc. viu de perto a estratégia predatória do Facebook, que tentou comprar o Snapchat diversas vezes. Diante das recusas, copiou o formato de "snaps" e o inseriu em todas as suas plataformas — até alcançar o sucesso no Instagram Stories.

Segurança em primeiro lugar

A reação de Zuckerberg em dezembro, na reunião trimestral da empresa, foi dizer que "a empresa investiria tanto em segurança nos meses seguintes que ganharia significativamente menos dinheiro por um tempo", acrescentando que "a segurança de nossa comunidade é mais importante que maximizar lucros".

A matéria aponta que os problemas não cessaram — pelo contrário: parecem ter se intensificado. Analistas apontaram que o modelo econômico da empresa, focado em cliques, foi o grande responsável pela invasão do sensacionalismo que impera na mídia americana, responsável por "conteúdos questionáveis, divisivos e sem qualquer profundidade".

Hoje, os desafios da empresa parecem tão grandes quanto os que estouraram a crise. Como resposta, a plataforma lançou ferramentas contra o assédio, iniciativas contra notícias falsas,e de prevenção ao suicídio.

A Wired comenta que Zuckerberg parece legitimamente preocupado sobre as formas como as pessoas podem abusar da rede criada por ele, mas a pergunta permanece: será ele capaz de consertar os problemas gerados por sua criação?