Estádio onde Fluminense jogou em 2016 foi liberado após propina para bombeiros, dizem polícia e MP

Estádio onde Fluminense jogou em 2016 foi liberado após propina para bombeiros, dizem polícia e MP

Bombeiros investigados entregavam documentações em troca de propina, sem fiscalização. Até as 18h, 34 pessoas haviam sido presas preventivamente. Estádio Giulite Coutinho pertence ao

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Bombeiros investigados entregavam documentações em troca de propina, sem fiscalização. Até as 18h, 34 pessoas haviam sido presas preventivamente. Estádio Giulite Coutinho pertence ao América.

polícia informou que as investigações que levaram à prisão de pelo menos 34 pessoas na manhã desta terça-feira (12), a maioria de bombeiros militares, indicam o pagamento de propina para liberar alvará para jogos do time do Fluminense no estádio Giulite Coutinho, em Edson Passos, Mesquita, na Baixada Fluminense, durante o ano de 2016. O estádio pertence ao América Football Club.
"Em determinada conversa, isso é dito. O estádio funcionou sem autorização. Foi dada uma autorização prévia sem o cumprimento das exigências", afirmou a delegada Renata Araújo.
O documento irregular no caso do estádio era o Laudo de Prevenção e Combate a incêndios (LPCI). De acordo com o Ministério Público, a suspeita recai sobre o setor de engenharia do quarto grupamento, em Nova Iguaçu. Existe a chance de o esquema existir além dos grupamentos de Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
"Hoje em dia, por conta da rotatividade, alguns ocupam postos de comando fora da Baixada [Fluminense]. Hoje, foi arrecadado uma farta quantia em dinheiro na casa de um dos comandantes de grupamento da capital: R$ 140 mil", disse o promotor Fabio Corrêa, referindo-se ao comandante do grupamento de Irajá, Alex Silvandré.
O pagamento das propinas e a corrupção serão objeto de outras investigações. "A gente tem que apurar a lavagem de dinheiro e a corrupção. Outras investigações já estão em andamento", afirmou a delegada Renata Araújo, titular da delegacia fazendária e membro da Corregedoria Geral Unificada das polícias.
O Fluminense enviou a seguinte nota: "O Fluminense Football Club vem a público afirmar que jamais se valeu de práticas ilegais e nem se utilizou de vantagens indevidas com qualquer órgão público. O clube repudia atitudes irregulares em todas as suas formas e preza pelo cumprimento da legislação em vigor. O Fluminense sempre cumpriu todas as exigências necessárias para atuar dentro da normalidade. A Instituição se coloca à disposição para o que for necessário."

O América disse que não tratou da obtenção de laudo com o Corpo de Bombeiros no ano passado.
Até as 18h, 34 pessoas haviam sido presas preventivamente, sendo 32 bombeiros e dois empresários, e 67 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Dentre os mandados de prisão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, estão os de dois assessores especiais do Comandante Geral do CBMERJ, dos Comandantes da Baixada Fluminense, Nova Iguaçu, Irajá, (ex-comandante de Duque de Caxias), GOPP, Copacabana, Campinho, Jacarepaguá e do Destacamento de Paracambi e de sete Coronéis da reserva.
Quartel de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (Foto: Fernanda Rouvenat / G1) Quartel de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (Foto: Fernanda Rouvenat / G1)
Quartel de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (Foto: Fernanda Rouvenat / G1)
A operação foi batizada de "Ingenium", que significa engenharia, em latim. As investigações tiveram como base escutas telefônicas de bombeiros militares que revelaram uma organização criminosa de venda ilegal de documentos para funcionamento de estabelecimentos comerciais.
Os esquemas de corrupção ocorriam no âmbito do setor de engenharia de diversos grupamentos militares, principalmente no 4º GBM (Nova Iguaçu), no 14º GBM (Duque de Caxias) e no GOPP (Grupamento de Operações com Produtos Perigosos).
"Essa investigação começou quando um dos alvos mencionou o pagamento de propina para liberação de documentos envolvendo construções dentro de um dos grupamentos de engenharia do corpo de bombeiros", afirmou o promotor do Gaeco na Baixada, Fabio Corrêa.

Um dos bombeiros presos chega à Cidade da Polícia (Foto: Bruno Albernaz / G1) Um dos bombeiros presos chega à Cidade da Polícia (Foto: Bruno Albernaz / G1)
Um dos bombeiros presos chega à Cidade da Polícia (Foto: Bruno Albernaz / G1)
Com intuito de possibilitar a prática criminosa, dois assessores especiais do Comandante Geral do CBMERJ indicavam os Comandantes destas unidades. Estes contavam com a participação dos bombeiros lotados no setor da engenharia, além de bombeiros militares da reserva e civis, que intermediavam os pagamentos das propinas pagas por empresários para obtenção do documento que permitia o funcionamento do empreendimento.
Os suspeitos se aproveitavam da condição de bombeiro militar para fiscalizar os estabelecimentos no intuito de notificar os responsáveis e, desta forma, provocar um acordo para negociar valores ilícitos.
Em seguida, os acusados emitiam um laudo de exigências contendo todos os requisitos de segurança contra incêndio e pânico, porém, mesmo sem o cumprimento destas normas, após o pagamento de propina, os criminosos expediam o documento que atestava o cumprimento de todas as exigências.
A operação também contou com apoio da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança (SSINTE), da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (DRACO-IE) e da Polícia Civil.
Todos os 34 presos foram denunciados por organização criminosa, com pena prevista de 3 a 8 anos.
Estrutura da quadrilha
Os líderes da quadrilha, dois assessores-especiais do Comandante Geral do Corpo de Bombeiros, indicavam comandantes dos batalhões e dos setores de engenharia dos grupamentos do Corpo de Bombeiros.

"A partir daí, esses setores concediam autorizações de funcionamento sem preenchimento de todas as medidas ou criavam dificuldades para que a pessoa que precisava daquela documentação cedesse. Isso funcionava através do próprio setor ou através de intermediários", explicou Fábio Corrêa. "Seja através da pessoa que buscava esse documento ou de bombeiros que recebiam um percentual da propina".
Nota da corporação
Após a prisão de 32 bombeiros suspeitos de participarem do esquema, a Associação de Bombeiros Militares (ABMERJ) emitiu uma nota lamentando o fato e dizendo que o mau exemplo dos suspeitos não representa a corporação (leia a nota na íntegra):
"É importante que fique claro para a população fluminense que a maioria absoluta dos bombeiros é formada por militares de bem, que honram a farda que vestem, que não se vendem por dinheiro algum e que irão continuar a prestar um serviço de excelência a todos.
Não reconhecemos como comandantes esses oficiais com a conduta suja. Esses não têm envergadura moral, para determinar nada a seus comandados. Sim, precisamos de comandantes. Mas precisamos que sejam homens de excelente conduta. Afinal, o discurso convence, mas o exemplo arrasta!"
Nota:
"População Fluminense;
A missão que nos foi confiada é tão nobre que alguns a reconhecem como sagrada. Salvar vidas é mais que uma profissão: é uma vocação. Uma missão confiada a homens e mulheres honrados que não arriscam sua vida por dinheiro, mas pela satisfação de servir ao próximo ainda que com o sacrifício da própria vida.
Amanhecemos hoje com uma notícia vexatória que muito nos entristece. Segundo o Ministério Público Estadual, Um grupo de oficiais-comandantes operavam e gerenciavam um grande esquema de corrupção que liberava certificados de aprovação em troca de propina. Como se a vida das pessoas que frequentariam esses ambientes tivesse preço.
Assusta-nos que outrora homens que juraram defender a vida da população, vendam por qualquer valor a segurança das mesmas. Um local que não tinha condições de segurança para funcionar era liberado em troca de propina. Uma ofensa às pessoas, ao juramento, a corporação que servimos, à vida!

É importante que fique claro para a população fluminense que a maioria absoluta dos bombeiros é formada por militares de bem, que honram a farda que vestem, que não se vendem por dinheiro algum e que irão continuar a prestar um serviço de excelência a todos.
Não reconhecemos como comandantes esses oficiais com a conduta suja. esses não têm envergadura moral, para determinar nada a seus comandados. Sim, precisamos de comandantes. Mas precisamos que sejam homens de excelente conduta. Afinal, o discurso convence, mas o exemplo arrasta!
A Abmerj afirma que seus associados, bombeiros militares, continuarão servindo a todos que necessitarem, não importando local, horário ou condição social. Mesmo com salários atrasados, mesmo sem equipamentos adequados, ainda que sozinhos! Servir com excelência sem olhar a quem. Nascemos para isso, e não para o calvário da vergonha a que nossa secular instituição foi lançada.
Desejamos que as investigações continuem e que todos os responsáveis sejam ouvidos, julgados e punidos de acordo com a lei, o decoro e o pundonor, aos quais, todos os bombeiros, oficiais e praças, estão subordinados.
Continuem contando sempre conosco !

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